terça-feira, 18 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Hoje você vai levar o quê?

Temos assaltos, seqüestros, estupros, assassinatos, latrocínios, feridos, brigas, rebeliões, violência, violência, violência...

Quem vai querer? Temos de todos os tipos e formas – brancos, pretos, classe baixa, média e alta, crianças, jovens, adultos, velhos, homens e mulheres, gays, facas, estiletes, revólveres, granadas, metralhadoras e até bazucas.

A grande feira da mídia está pronta! Muitos são os vendedores e muitos os compradores. A mercadoria, então, é de melhor qualidade. Fresquinhas. Saíram agora, da última colheita.

A verdadeira e ao mesmo tempo cruel realidade da mídia brasileira é esta. As pessoas se transformaram em produtos, frutas, legumes, que são vendidos, hoje, em qualquer esquina. Que a mídia banaliza qualquer coisa, não é novidade pra ninguém. Agora, banalizar a morte é degradante. A vida já está banalizada! Era pra não, mas está. Só que nos acostumamos com isso. Atualmente é normal – ou aceitamos ser normal – a forma como vivemos. De forma pacata, como bons brasileiros! Tudo está bem, tudo está tranqüilo, eu aceito tudo, sou imparcial com as coisas, um exemplar diplomata. Se meche comigo, fico nervoso, mas se é com o outro, não me importo. É o destino! Temos que aceitar o que somos, temos que aceitar as desigualdades, as faltas de oportunidades – aceitamos um pouco de corrupção, negligenciamos e como dizem por aí, sou brasileiro e não desisto nunca! Não desiste do quê?

Viver é banal. Mas morrer também?
A mídia como grande formadora de opinião tem o importante papel de levar informação ao seu público. Concordo que sem a mídia certamente iríamos perecer de conhecimento. Nada contra ela, só não aceito a forma que a violência e a morte são expostas. E o pior. Não nos impacta mais saber, ver e ouvir que a violência está à porta. Se morrem um ou 10, não faz diferença. Vemos um noticiário que nos diz o número de mortos do final de semana – 15 – mas são 15, só na sua cidade. Ouvimos - Ah! Normal! - Ou - menos mal, no final de semana retrasado foram 18, já baixou.

Morrer poucos ou muitos não faz diferença. Lembro-me que há poucos anos atrás, quando ouvíamos que alguém morreu, todos ficavam perplexos. Seja uma pessoa conhecida ou não, mas se morreu era de assustar. Hoje o que nos choca é quando os números de mortos ou feridos se elevam em conseqüência de alguma catástrofe ou algum ato terrorista. E a feira da mídia se enaltece. Vende mais, né! Quando compramos um jornal ou vemos e ouvimos que foram mais de 100 mortos, aí a coisa muda. Mais de 100? É o fim do mundo! Então, quando este número chega ao milhar, aí verdadeiramente nós dizemos – é o Apocalipse.

Mas e os 15 que morreram no final de semana?
Interessante como até os jornalistas não sentem mais emoção em transmitir as notícias de tragédia. Observem que quando falam que morreram 30 no Iraque, por causa de um homem-bomba é a mesma coisa de dizer, que pesquisas mostram que o funk carioca está em alta no Brasil. Pra quê se impressionar com 30 mortos? Lá morrem mais ou menos isso todo dia. É normal. Normalíssimo, só não é pra quem vai enterrar um ente-querido pela primeira vez.

Agora, o espetáculo está armado quando “valorizam” em algum fato que possivelmente será polêmico e repercutirá nas conversas de todos os brasileiros.

Jogaram uma criança da janela. Garoto é arrastado pela rua, preso a um carro. Seqüestro termina em morte da refém. É certo que, todos nós, ao lermos estes três acontecimentos citados, faremos uma ligação com três famosos casos em que a mídia se esbaldou em martelá-los em nossas casas e mentes. No decorrer de um ano, sempre é preciso pegar algum fato de violência e fazê-lo – de maneira bem forçada e dramática – ser o destaque. A morte de Isabella Nardoni foi revoltante? Sim. Mas quantas Isabellas Nardoni estão caindo das janelas e sofrendo violência doméstica? João Hélio foi morto de forma cruel? Sim. Mas e tantos outros Joãos Hélio, que são e estão desconhecidos? Cadê a mídia para dar a estes a devida importância e homenagem que deram para João Hélio? Eloá ficou na mídia sendo comentada por quantos dias? E as diversas outras vítimas de seus namorados? 15 ou 30 segundos – anunciadas em pequenas notas pelos jornalistas, seja na TV, ou em pequenas notícias no jornal impresso que fica bem lá canto inferior da página? Difícil de alguém ler.

Na mídia é igual na feira. Você só vende o que quer vender. Seja frutas ou legumes, seja morangos ou jilós a escolha é do vendedor. E o freguês compra também o quer. Mas quando o vendedor é bom de lábia, o comprador leva pra casa até umas bananas que já estão quase podres. É só fazer um preço mais camarada que convence, já que brasileiro gosta de pechinchar – e muito.

Quem é o culpado de levar isto para dentro de sua casa? O vendedor ou o cliente?

Anoitece e raia um novo dia. E a feira reabre e a mercadoria ta novinha.

Temos assaltos, seqüestros, estupros, assassinatos, latrocínios, feridos, brigas, rebeliões, violência, violência, violência...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Jornalismo impresso: Acaba ou não?

Observem estes dados. O tempo médio gasto na leitura dos jornais nos Estados Unidos não chega a 30 minutos por dia. Oito em cada dez americanos entre 18 e 34 anos nem batem os olhos num jornal. Quase 40% das pessoas com menos de 35 anos, disseram que esperam usar a internet no futuro para se informar. Só 8% falaram em se informar pelos jornais. Estes são, alguns, dos diversos dados colhidos em uma pesquisa realizada com americanos, em que o objetivo era constatar a aceitação, ou não, do jornal impresso no cotidiano das pessoas. Estudiosos, pesquisadores e jornalistas questionam um assunto que ecoa há alguns anos com o surgimento das novas mídias eletrônicas – o fim do jornalismo impresso. Os comunicólogos, em especial os jornalistas, se dividem entre os que acreditam na permanência do jornal de papel e os que crêem no desaparecimento do mesmo. Com o advento de novas tecnologias na área de comunicação, há quem diga que num futuro próximo restará apenas a versão online e televisiva para se passar uma informação. Baseiam-se nas pessoas mais jovens que preferem as telas dos computadores, noteebooks e palmtops – mídias usadas quase diariamente por uma população cada vez mais nova.

A escolha da juventude atual não é o único argumento para o fim do jornal impresso. Entre essa questão, há outros motivos, tais como, a realização e divulgação lenta de notícias, se comparada à elaboração de uma notícia para a internet ou televisão, e o custo alto devido a impressão em papel e distribuição trabalhosa envolvendo motoristas e carregadores. Alguns afirmam que a internet é apenas um dos fatores que podem levar o jornal a desaparecer. Outro fator também é a queda do investimento publicitário desde a década de 90.

Os jornais de alguns países como França e Estados Unidos já sentem o impacto e decadência do impresso. Em 1946, a França tinha 28 jornais diários vendendo seis milhões de exemplares. Atualmente, eles são apenas 11 e o total de vendas diárias não passa de dois milhões de exemplares. A direção do The New York Times – jornal mais conhecido e lido em todo o mundo – confessa estar sofrendo prejuízos com suas edições em papel. Por outro lado, os acessos à versão online do tablóide, já superam um milhão e meio por dia, enquanto um milhão e cem mil pessoas lêem os impressos. Realidade diferente no Brasil. Os levantamentos de circulação e publicidade mostram progresso nos jornais brasileiros. O Instituto de Verificador de Circulação (IVC) tem bons números registrados no ano passado. A média diária dos 103 jornais filiados ao IVC cresceu 8,1% comparados à média do primeiro semestre de 2007. Os jornais passaram a vender 4,39 milhões de exemplares por dia, enquanto há dois anos vendiam 4,06 milhões de unidades diárias.

Marcelo Freitas, professor e coordenador do laboratório de jornalismo impresso da Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte, possui uma visão otimista sobre a perenidade do jornal impresso. Para ele o impresso só vai continuar se a forma de fazer notícia mudar. “O jornal vai deixar de trazer matérias de ontem. Terá um papel mais reflexivo, quem sabe, literário”, conta. Marcelo diz que as notícias factuais tendem a ficarem com as mídias eletrônicas, enquanto os jornais passarão a terem características de textos para revista. Quando questionado se há algum prazo para o desaparecimento dos impressos, o professor enfaticamente diz que “será indeterminado”.

Da mesma forma que existem os prós e contras ao jornalismo impresso, as mídias eletrônicas, em especial a internet, não escapam das críticas. O dinamismo das publicações de notícias em blogs ou portais pode ser um erro. Pela rapidez em divulgar o fato, as matérias podem ter falhas e falta de alguma informação. Dependendo do site de notícias, o receptor pode não saber com quem reclamar quando ler alguma informação errônea ou de difícil compreensão, perdendo, assim, credibilidade e confiança do internauta. Diferente dos jornais impressos, pois se sabe o endereço, telefone, CNPJ da empresa para contato.

O impresso tem perdurado por longos anos. Será que a tecnologia abafará sua existência?